terça-feira, 15 de maio de 2012

O que ninguém sabe sobre o Madame Satã

Para entender um pouco mais do porque a casa foi considerada o templo do underground em São Paulo

Já falamos aqui um pouco sobre o Madame Satã em um texto resumido sobre sua existência. Recém lançado, o documentário “Madame Satã – O Importante é Ser Eu e Não o Outro” narra com detalhes e depoimentos o que rolava nas noites da casa, seus principais personagens, histórias e fatos.
Quando Wilson José, Willians Silva, Miriam e Márcia Dutra resolveram montar o então Restaurante Cultural Madame Satã não sabiam da dimensão que o que estavam fundando iria virar. O que era para ser um “restaurante” passou a ter shows, performances artísticas, apresentações teatrais, intervenções, exposições e muito mais. A última coisa que os frequentadores faziam era ir ali para comer.
O Madame Satã conseguia reunir no mesmo ambiente punks, góticos, mods, darks, a galera moderna da new wave, gays, lésbicas, travestis e qualquer outra tribo que surgisse na época.
A década de 80 foi libertadora para a juventude que vinha sendo pressionada por conta da Ditadura Militar instaurada no país, então o momento foi uma explosão para todas as áreas da arte. Não irei prolongar em palavras o que documentário, com ótima trilha sonora, explica.



A identidade do rock paulista dos anos 80

Gang 90 e As Absurdettes: um dos primeiros grupos new wave do Brasil

O que destacava o rock produzido em São Paulo dos outros estados no início dos anos 80 era a mistura de diferentes subgêneros que, juntamente com outros aspectos, formaram a identidade do cenário roqueiro paulista do início década. As bandas paulistas que iniciaram suas atividades entre 1980 e 1981, e ajudaram a caracterizar o rock de São Paulo ao longo da década, foram Gang 90 e As Absurdettes, Agentts, Verminose (que se tornaria Magazine), Azul 29, Voluntários da Pátria e Ira.

Na década de 80, os locais em que as bandas se apresentavam em São Paulo, que se dividiam em discotecas e casas de show, eram a maneira primordial de divulgação das bandas, e constituíam um aspecto especial, que tornava o circuito roqueiro paulista uma ferramenta eficaz de exposição até mesmo para grupos de outros estados do Brasil. Em 1983, por exemplo, o Capital Inicial seguiu os passos das bandas brasilienses Legião Urbana, Finis Africae e Escola de Escândalos, e foi para São Paulo.

Em São Paulo, as bandas frequentavam o circuito formado pelo Teatro Lira Paulistana, porão localizado na Vila Madalena, pela butique Kaos Brasilis, e por bares como Calabar, Pierrô Lunar e Pub Vitória. Em 1984, quando os espaços começaram a não dar mais conta de tantas bandas que surgiam, tampouco do público que queria vê-las de perto, surgiram as danceterias, muitas: Madame Satã, Carbono 14, Rose Bom Bom, Napalm, Rádio Clube, entre outras.  

O tecnopop paulista

Agentts e Azul 29 foram duas bandas que se destacaram
Influenciado por grupos como Devo (EUA) e Kraftwerk (Alemanha), o grupo Agentts produzia sonoridades muito parecidas com as do tecnopop europeu da década de 80. Kodiak Bachine nos teclados e sua vocalização de fonemas que lembravam máquinas, que chamava de “eletrotranzlyrics”.

Assim como o Agentts, o Azul 29 também produzia músicas tecnopop. As duas bandas, assim como Ultraje a Rigor e Ira, chamaram a atenção do produtor Pena Schmidt, que lançou o compacto do Agentss em 1983, com “Professor Digital” e “Cidade Industrial”. Quando o grupo se desfez, no mesmo ano, o guitarrista Eduardo Amarante passou a integrar o Azul 29, que lançou o compacto com “Metrópole” e “Olhar” e, em 1984, outro compacto com “O Teu Nome tem Neon” e “Ciências Sensuais”. 


Vanguarda Paulista o movimento da independência

O movimento que surgiu no final da década de 1970 alavancou a produção musical independente no Brasil

Imagem do logo do Selo do Lira Paulistana
Nascido em 1979, a Vanguarda Paulista foi o nome dado por jornalistas e críticos de música ao processo de independência da música brasileira que durou até 1985, ou seja, os artistas se auto produziam e gravavam os seus próprios LPs, adotando a politica americana "Do It Yourself". Esse processo marca o surgimento de inúmeros selos responsáveis pelo lançamento das bandas que circulavam no circuito underground de São Paulo. 

Os principais selos são o Baratos & Afins e o do Teatro Lira Paulistana, esse último teve mais destaque no processo de gravação, já que também funcionava como palco para as bandas que começavam na carreira artística, ou aquelas que desejavam ficar na cena alternativa, como era o caso das bandas de Punk, como voluntários da pátria e inocentes.  Os principais representantes desse movimento foram, Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção e os grupos Premeditando o Breque e Língua de Trapo. 

sábado, 12 de maio de 2012

Manoel Poladian na cena roqueira


Empresario foi inserido no rock´n´roll após assinar contrato com RPM


Em 1980 muitos nomes foram importantes, e entre eles não poderia ser deixado de lado o do empresário Manoel Poladian. Dentre muitos artistas, Poladian trabalhou com Rita Lee, Roberto Carlos e Ney Matogrosso, este último teve papel importante ao entrelaçar o caminho do empresário e produtor com o da banda paulista liderada por Paulo Ricardo, RPM.


Ao procurar por mais um sucesso, o dono da voz do álbum Sujeito Estranho recomendou ao doutor em direito administrativo uma banda que a pouco fechara contrato com a CBS. O RPM para decolar na carreira precisava de mais visibilidade, o que não estava sendo tão crucial para a gravadora, e foi o que Poladian fez, ofereceu jogos de iluminação, dois caminhões, cenário e todo o resto para um "super show". "Era algo do tipo [faz voz de biliardário]: 'Ah, vocês vão se casar? Então pega ali um dúplex de cobertura mobiliado com home theatre e sauna seca'. A gente pegou", comenta Paulo Ricardo. (ALEXANDRE, Ricardo. Dias de Luta.2002)

Mas apesar de ter um sucesso emplacado nas rádios, "Louras Geladas", a banda ainda precisava de certa produção , e assim Ney Matogrosso aceitou o convite de Poladian para tal feito. O cantor e agora produtor, passava horas diante daqueles garotos por volta dos 20 e poucos anos o que era a postura de palco. O trabalho não foi fácil, já que Ney devia ensina-los a cativar o público, que era muito maior do que eles estavam acostumados a tocar em casas como Madame Satã ou Clash. 

terça-feira, 8 de maio de 2012

RPM na linha contrária


Banda dos anos 1980 teve seu começo de forma diferente das outras, primeiro foi atrás de patrocínio e depois surgiu como grupo musical

Ao contrario de todas as bandas que se tornaram conhecidas, o RPM começou a procura de gravadora antes mesmo de existir.

Na década de 1980, Paulo Ricardo cursava jornalismo na ECA-USP e escrevia artigos para revistas para o polo cultural, na mesma época sua paixão pelo baixo e a vontade de criar uma banda com Luiz Schiavon aumentava a cada dia. E enquanto eram apenas os dois fazendo música, Paulo Ricardo conheceu Marcos Maynard, diretor artístico da gravadora CBS, que ouviu uma fita demo deles, em 1982 Por terem um material ainda em construção, Maynard conclui que a melhor coisa a se fazer era deixar a porta aberta para a dupla quando estes tivessem preparados para uma carreira sólida.

Somente em 1985, é que com Fernando Deluqqui na guitarra, e a ainda participação de P.A Pagni na bateria, é que o RPM conseguiu finalmente sair do anonimato e se tornar uma das bandas mais conhecidas da época, com o lançamento do álbum Revoluções Por Minuto.